Como ser feliz? Será assim tão fácil?

Eram 8h da noite e Marta tinha acabado de jantar.

Enquanto arrumava a cozinha começou a refletir sobre o seu dia de trabalho e como tinha de passar todos os seus dias fechada dentro de quatro paredes, com dias fantásticos como aquele.

Abriu o frigorífico, pegou numa sidra e dirigiu-se ao elevador do seu prédio. Subiu ate ao ultimo andar, entrou na zona do terraço e sentou-se numa espreguiçadeira junto a piscina. Boa, ainda vim a tempo de ver o pôr do sol. Como é bom o Verão! – pensou Marta.

Subitamente eis que surge uma figura alta e morena por detrás do muro onde se encontrava o balneário. Os dois trocaram um intenso olhar. Marta não conhecia aquele homem e questionou-se como era possível que nunca o tivesse visto por ali. O desconhecido sorriu e aproximou-se de Marta, sentando-se na espreguiçadeira ao seu lado.

Marta não sabia se havia de dizer algo para quebrar o gelo, e por essa razão limitou-se a olhá-lo de relance e a sorrir.

– Sabe bem vir aqui acima depois do trabalho para relaxar.

Aquela voz… Marta corou. Era o seu vizinho da frente! Mas como poderia ela reconhece-lo assim de tronco nu e com aquele cabelo todo despenteado?

– Sim, o pôr do sol visto daqui é lindíssimo. – concordou Marta – Nem acredito que esta é apenas a segunda vez que venho cá acima, ao fim de um ano a morar aqui.

– Então já viu o que anda a perder… Eu sou o Paulo, muito prazer.

Ficaram quase uma hora a conversar e no final trocaram de números de telefone. A partir daquele momento a vida de Marta nunca mais foi a mesma.

Todos os dias esperava ansiosamente pelas 6h da tarde, para sair do trabalho e ir apanhar uns banhos de sol na presença de Paulo. Certo dia, já passavam das dez da noite e ambos se encontravam deitados nas espreguiçadeiras a conversar debaixo do céu estrelado. Paulo estendeu a mão de forma a alcançar a mão de Marta e ambos se olharam expectantes. Levantaram-se e antes que Marta tivesse tempo de dizer alguma coisa, Paulo beijou-a intensamente. Marta nunca se havia sentido assim, foi o beijo mais apaixonado que alguma vez recebera. Ela sabia que tinha encontrado o tal.

Se nunca tivesse quebrado a rotina, Marta nunca teria conhecido o pai dos seus filhos. O mais certo seria continuar na sua vida de sempre, na vida que conhecia, e nunca teria dado o passo para uma vida mais feliz.

Todos nós criamos as nossas rotinas, é a forma mais fácil de nos organizarmos para o trabalho e para a vida pessoal. Mas é fora da rotina que acontecem as coisas mais incríveis e emocionantes.

Por isso, não se deixe absorver de tal forma pela rotina a ponto de não se aperceber do que se passa à sua volta. A rotina dá-nos uma certa sensação de segurança, mas ao mesmo tempo podemos ficar aborrecidos por vivenciar sempre as mesmas coisas, nos mesmos locais, com a mesmas pessoas. Esteja sozinho/a ou numa relação, deve sempre encontrar um meio termo para aquilo que entra na rotina.

Se está solteiro/a deve arriscar mais, sair com outras pessoas, visitar locais novos… manter-se sempre à defesa não o/a vai ajudar a encontrar alguém.

Por outro lado, se está numa relação, também não pode deixar que a sua relação caia na rotina. Quando chega algo ou alguém que altere a sua rotina, a tentação de trocar o certo pelo incerto é enorme! Mas não se deixe iludir por tudo aquilo que sai da rotina e é extremamente aliciante. Deve sempre questionar a razão pela qual se sente tentado/a, e se isso não será apenas um sintoma de que a sua relação está demasiadamente estagnada. Para combater este tipo de sedentarismo relacional deve forçar-se a criar momentos diferentes ao longo da sua semana, por mais que esteja cansado/a deve sempre guardar alguma energia para alimentar o amor da sua relação.

Aquilo que hoje é novidade, amanhã deixa de o ser. Por isso pense duas vezes antes de perder o amor da sua vida em prol de uma aventura!

Preste mais atenção aos sinais que a vida lhe dá!

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